Crescimento pessoal

13/07/2014 17h43

Comunicação Não Violenta: 5 dicas fundamentais

Como expressar nossas necessidades de forma eficaz, consciente e afetiva

Por Nosso Bem Estar

MANGOSTOCK/ ISTOCKPHOTO/ NBE
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Pesquisa continuada auxilia a encontrar a mensagem mais apropriada

“O que eu quero em minha vida é compaixão,
um fluxo entre mim mesmo e os outros
com base numa entrega mútua,
do fundo do coração.”

Marshall B. Rosenberg

Como você está se sentindo agora? Se ao nos expressar procurássemos apenas responder esta pergunta, talvez houvesse muito mais sucesso em nossos diálogos. É isso o que estimula a Comunicação Não Violenta (CNV), um processo de pesquisa contínua que estimula uma comunicação eficaz e com empatia. Esteja presente. Escute. Se observe. Saiba por que e para que está direcionando suas palavras, procurando compreender também as necessidades que estão por trás da fala do outro. E, acima de tudo, assuma a responsabilidade pelo que está acontecendo!

O princípio da CNV já estava presente na psicologia humanista, quando Carl Rogers apresentou uma abordagem centrada na pessoa e no que ela sente. Mas foi o psicólogo Marshall B. Rosenberg que sistematizou alguns conceitos fundamentais para quem busca uma linguagem capaz de expressar nossos sentimentos e intenções.

Veja a excelente explicação de Rosenberg em uma oficina de introdução à CNV!

O ideal da Comunicação Não Violenta é conseguir que nossas necessidades, desejos, anseios e esperanças não sejam satisfeitos às custas de outra pessoa. Um dos princípios básicos para isto é ter a capacidade de se expressar sem usar julgamentos de "bom" ou "mau", do que está certo ou errado. A ênfase é posta em expressar sentimentos e necessidades, em vez de críticas ou juízos de valor.

Portanto, é preciso levar em conta a diferença entre:

- Observações e juízos de valor;
- Sentimentos e opiniões;
- Necessidades (ou valores universais) e estratégias;
- Pedidos e exigências/ameaças.

Um novo enfoque para as relações

Em seu livro “Comunicação Não Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”, Marshall B. Rosenberg apresenta uma nova forma de ver as relações e trocas: pela ênfase em escutar. Ouvir profundamente, a nós e aos outros, com atenção, empatia e entrega, expressando o desejo mútuo de comunicar com o coração.

“A CNV nos ajuda a reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros. Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando. Somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa e empática. Em toda troca, acabamos escutando nossas necessidades mais profundas e as dos outros.

A CNV nos ensina a observarmos cuidadosamente (e sermos capazes de identificar) os comportamentos e as condições que estão nos afetando. Aprendemos a identificar e a articular claramente o que de fato desejamos em determinada situação. A forma é simples, mas profundamente transformadora.

À medida que a CNV substitui nossos velhos padrões de defesa, recuo ou ataque diante de julgamentos e críticas, vamos percebendo a nós e aos outros, assim como nossas intenções e relacionamentos, por um enfoque novo. A resistência, a postura defensiva e as reações violentas são minimizadas. Quando nos concentramos em tornar mais claro o que o outro está observando.” Marshall B. Rosenberg

Para compreender o outro

Conhecer a realidade do outro é uma forma eficiente de alcançar a compreensão. Partimos da ideia de que cada ser humano tem o seu quadro de referência. Ou seja: crenças, valores, ideias dominantes e comportamentos, que serão expressados em suas manifestações. Para isto, é fundamental ter ideias flexíveis, assumir uma postura não julgadora, considerando que nenhum quadro é melhor ou pior do que o outro.

Segundo Tiago Bueno Camargo, pesquisador sobre inteligência e desenvolvimento emocional de jovens e adultos, quando escutamos com presença, entrando com delicadeza no quadro de referência do outro, ele se sente à vontade para falar de seus sentimentos, e cedo ou tarde acabará revelando seus aspectos sombrios. Se estivermos em estado de auto-observação será possível trazer à consciência emoções que estavam escondidas.

Mas é preciso prestar atenção nos pensamentos e impulsos de querer falar, assumindo a responsabilidade por nossa própria energia. “O ego costuma oferecer uma saída para fugirmos da dor: projetar nos outros aquilo que nos machuca e atacar. Precisamos aprender a lidar com a nossa própria culpa. E a conexão com nosso Eu Maior permite que façamos escavações mais profundas”, comenta Tiago.

Dicas fundamentais

Para uma comunicação eficaz, consciente e afetiva:

1 – Considere o quadro de referência da cada pessoa, sua cultura, seus valores, e exercite enxergar as coisas pelo seu ponto de vista.
2 – Observe sem julgar. Saiba diferenciar os fatos das suas próprias interpretações e assuma a responsabilidade pelo que sente e manifesta.
3 – Fale dos sentimentos, procure nomear as emoções que precisam ser expressadas.
4 – Identifique a necessidade que há por trás das palavras. Desça num nível mais profundo para identificar a origem das emoções e os desejos inconscientes que permeiam as conversas.
5 – Aprenda a fazer pedidos. Se já sabe o que sente e suas necessidades, expresse-as propondo acordos que procurem atender às vontades de todos.

Fontes:  Marshall B. Rosenberg (Livro “Comunicação Não Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”), Tiago Bueno Camargo (Oficina de introdução à Comunicação Não Violenta)

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